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terça-feira, 30 de junho de 2015

A Fonologia Pasquale & Ulisses) - parte 2

(Continuação da obra "Gramática da Língua Portuguesa", de Pasquale & Ulisses)


A Fonologia (continuação)

4. SÍLABAS

As sílabas são conjuntos de um ou mais fonemas pronunciados numa única emissão de voz. Em nossa língua, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal: não existe sílaba sem vogal e nunca há mais do que uma única vogal em cada sílaba.

Cuidado com as letras i e u (mais raramente com as letras “e” e “o”), pois, como já vimos, elas podem representar também semivogais, que não são nunca núcleos de sílaba em português.

As sílabas, agrupadas, formam vocábulos. De acordo com o número de sílabas que os formam, os vocábulos podem ser:
a) monossílabos - formados por uma única sílaba: é, há, ás, cá, mar, flor, quem, quão;
b) dissílabos - apresentam duas sílabas: a-i, a-li, de-ver, cle-ro, i-ra, sol-da, trans-por;
c) trissílabos - apresentam três sílabas: ca-ma-da, O-da-ir, pers-pi-caz, tungs-tê-nio, felds-pa-to;
d) polissílabos - apresentam mais do que três sílabas: bra-si-lei-ro, psi-co-lo-gi-a, a-ris- to-craci-a, o-tor-ri-no-la-rin-go-lo-gis-ta.

5. ENCONTROS VOCÁLICOS

Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e semivogais, sem consoantes intermediárias. É importante reconhecê-los para fazermos a correta divisão silábica dos vocábulos.
Há três tipos de encontros:

a) hiato - é o encontro de duas vogais num vocábulo, como em saída (sa-í-da). Os hiatos são sempre separados quando da divisão silábica: mô-o, ru-im, pa-ís;

b) ditongo - é o encontro de uma vogal com uma semivogal ou de uma semivogal com uma vogal; em ambos os casos, vogal e semivogal pertencem obviamente a uma mesma sílaba. O encontro vogal + semivogal é chamado de ditongo decrescente (como em moi-ta, cai, mói). O encontro semivogal + vogal forma o ditongo crescente (como em qual, pá-tria, sério). Os ditongos podem ser classificados ainda em orais (todos os apresentados até agora) e nasais (como mãe ou pão);

c) tritongo - é a seqüência formada por uma semivogal, uma vogal e uma semivogal, sempre nessa ordem. O tritongo pertence a uma única sílaba: Pa-ra-guai, quão.
Os tritongos podem ser orais (Paraguai) ou nasais (quão).

Observações
1. A terminação "em" em palavras como 'ninguém, alguém, também, porém' e a terminação "am" em palavras como 'cantaram, amaram, falaram' representam ditongos nasais decrescentes.

2. É tradicional considerar hiato o encontro entre uma semivogal e uma vogal ou entre uma vogal e uma semivogal que pertencem a sílabas diferentes. Isso ocorre quando há contato entre uma vogal e um ditongo, como em i-déi-a, io-iô.

3. Há alguns encontros vocálicos átonos e finais que são chamados de instáveis porque podem ser pronunciados como ditongos ou como hiatos: -ia (pátria), -ie (espécie), -io (pátio), -ua (árdua), -ue (tênue), -uo (vácuo). A tendência predominante é pronunciá-los como ditongos.

6. ENCONTROS CONSONANTAIS

O agrupamento de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária, recebe o nome de encontros consonantais:
a) consoante + “l” ou “r” - são encontros que pertencem a uma mesma sílaba, como nos vocábulos pra-to, pla-ca, bro-che, blu-sa, trei-no, a-tle-ta, cri-se, cla-ve, fran-co, flan-co;
b) duas consoantes pertencentes a sílabas diferentes - é o que ocorre em ab-di-car, sub- so-lo, ad-vo-ga-do, ad-mi-ti r, al-ge-ma, cor-te.

Há grupos consonantais que surgem no início dos vocábulos; são, por isso, inseparáveis: pneu-mo-ni-a, psi-co-se, gno-mo.

7. DÍGRAFOS

A palavra dígrafo é formada por elementos gregos: di, "dois", e grafo, "escrever". O dígrafo ocorre quando duas letras são usadas para representar um único fonema. Também se pode usar a palavra digrama (di, "dois"; gramma, "letra") para designar essas ocorrências.

"Gu" e "qu" nem sempre representam dígrafos. Isso ocorre apenas quando, seguidos de "e" ou "i", representam os fonemas /g/ e /k/: guerra, quilo. Nesses casos, a letra "u" não corresponde a nenhum fonema.

Em algumas palavras, no entanto, o "u" representa uma semivogal ou uma vogal: aguentar, linguiça, frequente, tranquilo; averigúe, argúi - o que significa que gu e qu não são dígrafos nesses casos. Também não há dígrafo quando são seguidos de a ou u: quando, aquoso, averiguo.

Podemos dividir os dígrafos da língua portuguesa em dois grupos: os consonantais e os vocálicos.

a) dígrafos consonantais
ch : chuva, China;
lh : alho, milho;
nh : sonho, venho;
rr : barro, birra, burro;
ss : assunto, assento, isso;
sc : ascensão, descendente;
sç : nasço, cresça;
xc : exceção, excesso;
xs (se lê como s): exsuar, exsudar;
gu : guelra, águia;
qu : questão, aquilo.

b) dígrafos vocálicos

am, an : campo, sangue;
em, en : sempre, tento;
im, in : limpo, tingir;
om, on : rombo, tonto;
um, un : nenhum, sunga.

8. DIVISÃO SILÁBICA

A divisão silábica gramatical obedece a algumas regras básicas, que apresentaremos a seguir. Se você observar atentamente essas regras, vai perceber que os conceitos que estudamos até agora servem para justificá-las:

a) ditongos e tritongos pertencem a uma única sílaba: au-tô-no-mo, ou-to-no, di-nhei-ro; U-ru-guai, i-guais;

b) os hiatos são separados em duas sílabas: du-e-to, a-mên-do-a, ca-a-tin-ga;

c) os dígrafos ch, lh, nh, gu e qu pertencem a uma única sílaba: chu-va, mo-lha, es-ta- nho, guel-ra, a-que-la;

d) as letras que formam os dígrafos rr, ss, sc, sç, xs e xc devem ser separadas: bar-ro, as-sun-to, des-cer, nas-ço, es-xu-dar, ex-ce-to;

e) os encontros consonantais que ocorrem em sílabas internas devem ser separados, excetuando-se aqueles em que a segunda consoante é l ou r: con-vic-ção, as-tu-to, ap-to, cír-cu-lo, ad-mi-tir, ob-tu-rar, etc.; mas a-pli-ca-ção, a-pre-sen-tar, a-brir, re-tra-to, de-pre-ca-ção. Lembre-se de que os grupos consonantais que iniciam palavras não são separáveis: gnós-ti-co, pneu-má-ti-co, mne-mô-ni-co.

O conhecimento das regras de divisão silábica é útil para a translineação das palavras, ou seja, para separá-las no final das linhas. Quando houver necessidade da divisão, ela deve ser feita de acordo com as regras acima. Por motivos estéticos e de clareza, devem-se evitar vogais isoladas no final ou no início de linhas, como a-/sa ou jundia/-í. Também se aconselha a repetição do hífen quando a divisão coincidir com a de um hífen preexistente (pré-datado e disse-me, por exemplo, translineados ficam: pré-/-datado e disse-/-me).

Ortoepia ou Ortoépia

Formado por elementos gregos (orto, "correto"; epos, "palavra"), ortoepia ou ortoépia é o nome que designa a parte da Fonologia que cuida da correta produção oral das palavras.

Colocamos abaixo uma relação que você deve ler cuidadosamente em voz alta: lembre-se de que estamos falando da forma de pronunciar essas palavras de acordo com o padrão culto da língua portuguesa, importante para você comunicar-se apropriadamente em vários momentos de sua vida.
advogado
aforismo
aterrissagem
adivinhar
bebedouro
bandeija
barganha
beneficência
beneficente
cabeçalho
cabeleireiro
caranguejo
cataclismo
digladiar
disenteria
empecilho
engajamento
estourar (estouro, estouras, etc.)
estupro/estuprar
fratricídio
frustração, frustrar
lagarto, lagartixa
manteigueira
mendigar, mendigo
meritíssimo
meteorologia
mortadela
prazeroso, prazerosamente
privilégio
propriedade, próprio
prostração, prostrar
reivindicar
roubar (roubo, roubas, etc.)
salsicha
tireóide
umbigo

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