Luz para a inteligência, Calor para a vontade

quinta-feira, 18 de junho de 2015

De Anima (Aristóteles) - 22

(Continuação do "Tratado da Alma", de Aristóteles)

Entendimentos activo e passivo


Uma vez que, na natureza no seu todo, algo existe que é matéria para cada género (ou seja, aquilo que é, em potência, todas aquelas coisas), e uma outra coisa, que é a causa e o que age, por fazer todas as coisas (como, por exemplo, a técnica em relação à sua matéria), na alma têm de existir também, necessariamente, tais diferenças.

Existe, pois, um entendimento capaz de se tornar todas as coisas, e outro existe capaz de fazer todas as coisas, como certo estado semelhante à luz. É que a luz faz, de algum modo, das cores existentes em potência, cores em actividade. E este é o entendimento separável [da vida corporal], impassível e sem mistura, sendo em essência uma actividade.


É que aquele que age é sempre mais estimável do que aquele que é afectado, como é sempre mais estimável o princípio do que a matéria. É apenas depois de separado que o entendimento é [em plenitude] aquilo que é, e apenas isso é imortal e eterno. Não nos recordamos de nada [após a morte], porém, porque o intelecto ativo é impassível, enquanto o entendimento passivo é perecível; e, sem este, nada há que recorde. 

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