Luz para a inteligência, Calor para a vontade

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Não contem com o fim do livro (Umberto Eco) - 4

(Continuação da obra "Não contem com o fim do livro",
de Umberto Eco & Jean-Claude Carrière)

Citar os nomes de todos os participantes da batalha de Waterloo



"O futuro também era melhor antigamente."

JPT: Vocês evocaram a dificuldade de encontrar nos dias de hoje instrumentos confiáveis para conservar o que deve ser conservado. Mas a função da memória não é armazenar tudo?

UE: Claro que não. A memória — seja nossa memória individual, seja essa memória coletiva que é a cultura — tem uma função dupla. Uma é, com efeito, conservar certos dados, a outra é relegar ao esquecimento as informações que não nos servem e que poderiam atulhar inutilmente nossos cérebros. Uma cultura que não sabe filtrar o que preservamos como herança dos séculos passados é uma cultura que nos lembra o personagem Funes, inventado por Borges em Funes ou a memória, e que é dotado de uma capacidade de se lembrar de tudo. O que é exatamente o contrário da cultura. A cultura é um cemitério de livros e outros objetos desaparecidos para sempre. Existem atualmente trabalhos sobre esse fenômeno, que consiste em renunciar tacitamente a certos vestígios do passado e, portanto, em filtrar, e por outro lado em colocar outros elementos dessa cultura numa espécie de geladeira, para o futuro. Os arquivos, as bibliotecas são esses frigoríficos nos quais armazenamos a memória a fim de que o espaço cultural não fique abarrotado com toda essa quinquilharia, mas sem com isso renunciar a ela. Poderemos sempre, no futuro, se o coração nos ditar, voltar a eles. É possível um historiador descobrir o nome de todos os participantes da batalha de Waterloo, mas nem por isso ele os ensinará na escola, nem sequer na universidade, uma vez que esses detalhes, além de não serem imprescindíveis, talvez sejam inclusive perigosos. Pego outro exemplo. Sabemos tudo a respeito de Calpúrnia, a última esposa de César, até os Idos de Março, data do assassinato, momento em que ela o desaconselha a ir ao Senado em consequência de um pesadelo que tivera. Depois da morte de César, não sabemos mais nada sobre ela. Ela desaparece de nossas memórias. Por quê? Porque não era mais útil ter informações sobre ela. E isso não se deve, como poderíamos suspeitar, ao fato de ela ser mulher. Clara Schumann também era mulher, mas sabemos tudo que ela fez depois da morte de Robert. Logo, a cultura é uma seleção. A cultura contemporânea, ao contrário, via Internet, nos inunda com detalhes a propósito de todas as Calpúrnias do planeta e isso diariamente, a cada minuto, de tal forma que um guri que faça uma pesquisa para seu dever de casa pode ter a sensação de que Calpúrnia é tão importante quanto César.

JCC: Entretanto, como fazer uma seleção para as gerações futuras? Quem vai selecionar? Como prever o que irá interessar aos nossos descendentes, o que lhes era indispensável, ou simplesmente útil, ou mesmo agradável? Como filtrar quando, como você dizia, tudo que nos chega pelo viés de nossos computadores, sem nenhuma ordem, sem hierarquia, sem seleção? Em outras palavras, como fabricar nossa memória, nessas condições, sabendo que essa memória é uma questão de escolhas, de preferências, de descartes, de omissões voluntárias e involuntárias? Sabendo também que a memória de nossos descendentes não será obrigatoriamente da mesma natureza que a nossa. O que será a memória de um clone? Sou historiador por formação e sei a que ponto devemos desconfiar dos documentos que supostamente nos fornecem o conhecimento exato dos fatos do passado. Posso ilustrar a questão dessa transmissão com uma história pessoal. O pai de Nahal, minha mulher, era um erudito iraniano que, entre outros trabalhos, fez um estudo sobre um encadernador de Bagdá que vivia no século X e se chamava Al-Nadim. Você sabe que os iranianos inventaram a encadernação e também aquela encadernação que cobre completamente o escrito para protegê-lo. Encadernador culto, além de calígrafo, esse homem interessava-se pelos livros que encadernava, a ponto de os ler e deles sempre fazer um resumo. Ora, a maioria dos livros que ele encadernou encontra-se desaparecida nos dias de hoje, só nos restando os resumos do encadernador, seu catálogo, que se intitula Al-Fihrist. Reza Tajadod, autor do estudo, colocava assim a questão de saber o que, através dessa filtragem pessoal constituída pelo precioso trabalho do encadernador, podemos saber exatamente acerca dos livros que ele tivera nas mãos e cuja existência só conhecemos por seu intermédio.

UE: Conhecemos certas esculturas e pinturas da Antiguidade apenas por descrições. Essas descrições eram denominadas ekphrasis. Quando foi encontrada em Roma, na época de Michelangelo, a estátua do Laocoonte, datando da época helenística, foi identificada com base em descrições feitas por Plínio, o Velho.

JCC: Mas se agora dispomos de tudo sobre tudo, sem filtragem, de uma soma ilimitada de informações acessíveis em nossos monitores, o que significa a memória? Qual o sentido dessa palavra? Quando tivermos ao nosso lado um criado eletrônico capaz de responder a todas as nossas perguntas, mas também àquelas que não podemos sequer formular, o que nos restará para conhecer? Quando nossa prótese souber tudo, absolutamente tudo, o que devemos aprender ainda?

UE: A arte da síntese.

JCC: Sim, e o próprio ato de aprender. Pois aprendemos a aprender.

UE: Sim, aprendemos a controlar uma informação cuja autenticidade não podemos verificar. Este é evidentemente o dilema dos professores. Para fazer seu dever, os alunos vão pescar na Internet as informações de que necessitam sem saber se essas informações são exatas. E como poderiam saber? Então o conselho que dou aos professores é pedir a seus alunos, no caso de um dever de casa, que façam a seguinte pesquisa: a propósito do assunto sugerido, descubra dez fontes de informação diferentes e compare-as. Trata-se de exercitar seu senso crítico face à Internet, de aprender a não aceitar tudo como favas contadas.

JCC: A questão da filtragem também significa que devemos decidir o que devemos ler. Os jornais nos apontam 15 obras-primas "imperdíveis" toda semana, e em todos os domínios da criação.

UE: Sobre essa questão, formulei uma teoria da dizimação. Tomemos o domínio dos ensaios. Basta ler um livro em cada dez. Para os outros, você se reporta à bibliografia, às notas, e percebe imediatamente se as referências dadas são sérias ou não. Se o livro é interessante, não é necessário lê-lo, uma vez que certamente será comentado, citado, criticado em outros livros, inclusive naquele que você decidiu ler. Aliás, como professor universitário, você recebe uma tal quantidade de material impresso antes da publicação do livro que não tem mais tempo de lê-lo depois que publicado. De toda forma, no mais das vezes ele já está caduco quando você tem acesso a ele. Sem falar do que qualificamos na Itália como livros "cozidos e comidos", isto é, fabricados em função dos acontecimentos e oportunidades, e que não justificam você perder o seu tempo.

JCC: Quando eu cursava história, faz cinquenta ou 55 anos, forneciam-nos a cronologia necessária para abordarmos um dado assunto, isso a fim de refrescar nossa memória. Não tínhamos que aprender datas além do mais sem interesse, fora do exercício proposto. Se nos dedicarmos ao mesmo exercício baseando-nos nas informações colhidas na Internet, precisamos, logicamente, verificar a confiabilidade das informações. Esse instrumento, que nos deve trazer certo conforto, colocando à nossa disposição tudo e qualquer coisa, o verdadeiro e o menos verdadeiro, mergulha-nos efetivamente numa grande perplexidade. Imagino que os sites dedicados a Umberto Eco estejam recheados de falsas informações ou, pelo menos, de imprecisões. Será que amanhã precisaremos de um secretário verificador? Inventaremos uma nova profissão?

UE: Mas a tarefa de um verificador profissional não seria tão simples assim. Você e eu podemos nos dar ao luxo de sermos verificadores no que nos diz respeito. Mas quem será o verificador pessoal para tudo que diz respeito, digamos, a Clemenceau ou a Boulanger? E quem lhe pagará? Não o Estado francês, pois nesse caso ele deverá nomear verificadores para todos os personagens oficiais da história da França!

JCC: De toda forma, acho que, de uma maneira ou de outra, teremos uma necessidade cada vez maior desses verificadores. É uma profissão que vai se generalizar.

UE: Mas quem irá verificar o verificador? Antigamente, os verificadores eram membros das grandes instituições culturais, das academias ou das universidades. Quando o senhor fulano, membro do Instituto sicrano, publicava seu livro sobre Clemenceau, ou sobre Platão, conjecturávamos que as informações que ele nos fornecia eram exatas, porque ele perdera uma vida inteira nas bibliotecas verificando todas as suas fontes. Mas hoje corremos o risco de que o senhor fulano também tenha colhido suas informações na Internet, ficando então tudo sujeito a confirmação. Para ser honesto, tudo isso podia acontecer inclusive antes da Internet. Nem a memória individual nem a memória coletiva são fotografias do que realmente aconteceu. São reconstruções.

JCC: Você sabe tanto quanto eu a que ponto as exigências do nacionalismo contribuíram para deformar a visão que temos de determinados fatos. Os historiadores, à sua revelia, obedecem freqüentemente, e ainda hoje, à ideologia, manifesta ou latente, de seus países. Os historiadores chineses falam neste momento qualquer coisa sobre as relações antigas da China com o Tibete ou a Mongólia, e isso é ensinado nas escolas chinesas. Ataturk, na sua época, mandou reescrever de ponta a ponta a história da Turquia. Fez turcos viverem na Turquia na época dos romanos, séculos antes de sua chegada. E assim por diante, em toda parte... Se quisermos verificar, onde verificaremos? Os turcos, julgamos saber, vinham na realidade da Ásia Central, e os primeiros habitantes da Turquia atual não deixaram nada escrito. Como fazer?

UE: O problema é o mesmo com a geografia. Não faz muito tempo, devolvemos à África suas dimensões exatas, durante muito tempo minimizadas pelas ideologias imperialistas.

JCC: Recentemente eu estava na Bulgária, em Sófia. Dirijo-me ao Hotel Arena Serdica, que não conheço. Ao entrar, constato que o hotel foi construído sobre ruínas que podemos ver através de uma grande vidraça. Interrogo as pessoas do hotel. Elas me explicam que, com efeito, havia um coliseu romano exatamente naquele lugar. Perplexidade. Eu não sabia que os romanos haviam construído um coliseu em Sófia, monumento que, acrescentam, tinha apenas dez metros a menos, em diâmetro, do que o de Roma. Enorme, então. E, nos muros externos do coliseu, os arqueólogos descobriram esculturas que são como cartazes, ilustrando os espetáculos ali exibidos. Vemos dançarinos, gladiadores decerto, e uma coisa que eu nunca tinha visto, um combate entre um leão e um crocodilo. Em Sófia! De repente minha memória da Bulgária, já abalada pela descoberta dos tesouros dos trácios alguns anos antes, descobertas que empurravam aquele território para um passado ainda mais remoto, mais remoto que a Grécia, viu-se profundamente transtornada. Por que um circo daquele tamanho em Sófia? Porque havia ali, me contaram, fontes termais muito apreciadas pelos romanos. Então me lembrei que Sófia não está tão distante do lugar onde o pobre Ovídio padecera seu exílio. E eis que a Bulgária, cujos laços eslavos eu julgava incontestáveis, tornava-se uma colônia romana! O passado não para de nos surpreender, mais que o presente, mais que o futuro talvez. Para terminar com essa evocação de uma Bulgária subitamente romana, faço essa citação do humorista bávaro Karl Valentin: "O futuro também era melhor antigamente." Devemos-lhe também esta observação repleta de bom senso: "Tudo já foi dito, mas não por todo mundo." Em todo caso, chegamos a esse momento da nossa história em que podemos delegar a máquinas inteligentes — inteligentes do nosso ponto de vista — a tarefa de se lembrar em nosso lugar das coisas boas e ruins. Michel Serres voltou a esse tema numa entrevista concedida ao Monde de l'Education, dizendo que, se não temos mais essa força de memorização para fornecer, então "só nos resta a inteligência".

UE: Naturalmente aprender a tabuada de multiplicação numa época em que as máquinas podem calcular melhor do que qualquer um não faz muito sentido. Mas subsiste o problema da nossa capacidade "ginástica". É evidente que com um automóvel posso ir mais rápido do que a pé. Por outro lado, precisamos caminhar um pouco diariamente, ou fazer jogging, para não virarmos uma planta. Você com certeza conhece essa bela história de ficção científica que conta como o Pentágono descobre, no próximo século, numa sociedade na qual doravante os computadores pensam em nosso lugar, alguém que ainda sabe de cor a tabuada de multiplicação. Os militares chegam então ao consenso de que se trata de uma espécie de gênio particularmente valioso em tempos de guerra, para o dia em que o mundo for palco de um blecaute global. Há uma segunda objeção. Em determinados casos, o fato de saber algumas coisas de cor nos propicia faculdades de inteligência superiores. Tudo bem, concordo que a cultura não está no fato de saber a data exata da morte de Napoleão. Mas não resta dúvida de que tudo que você pode saber por si mesmo, inclusive a data da morte de Napoleão, em 5 de maio de 1821, lhe dá uma certa autonomia intelectual. Essa questão não é nova. A invenção da prensa já é essa possibilidade de colocar a cultura que não queremos acumular na "geladeira", nos livros, sabendo simplesmente onde encontrar a informação de que eventualmente precisamos. Logo, há delegação de uma parte da memória a livros, a máquinas, mas subsiste uma obrigação de saber tirar o melhor partido de suas ferramentas. E, por conseguinte, de conservar sua própria memória.

JCC: Mas ninguém contestará o fato de que, para poder utilizar essas ferramentas sofisticadas que, como vimos, tendem a caducar celeremente, somos obrigados a reaprender incessantemente novos usos e linguagens, memorizá-los. Nossa memória é poderosamente solicitada. Mais do que nunca, talvez.

UE: Certamente. Se você não foi capaz, desde a chegada dos primeiros computadores em 1983, de reciclar permanentemente sua memória informática passando de um disquete flexível para um disquete de formato mais reduzido, depois para um disco e agora para uma chave, você perdeu várias vezes seus dados, parcial ou integralmente. Pois, evidentemente, nenhum computador pode ler os primeiros disquetes, que já pertencem à era pré-histórica da informática. Procurei desesperadamente a primeira versão do meu Pêndulo de Foucault, que eu devia ter gravado em disquete nos anos 1984 ou 1985, sem sucesso. Se eu tivesse batido a máquina o meu romance, ela ainda estaria aqui.

JCC: Talvez haja alguma coisa que não desaparece, é a memória que conservamos do que experimentamos através dos diferentes momentos de nossa vida. A memória preciosa — e às vezes enganadora — dos sentimentos, das emoções. A memória afetiva. Quem pretenderia nos confiscá-la e com que fim?

UE: Mas essa memória biológica deve ser treinada diariamente. Se nossa memória fosse como a de um disquete, então teríamos nosso Alzheimer aos cinquenta anos. Porque uma das maneiras de afastar o Alzheimer, ou qualquer outra forma de doença senil, é precisamente continuar a aprender, por exemplo, decorar um poema todas as manhãs. Fazer todo tipo de exercícios de inteligência. Até mesmo enigmas ou anagramas. Nossa geração ainda era obrigada a decorar poemas na escola. Mas isso acontece cada vez menos. Tratava-se simplesmente, decorando, de exercitar nossas faculdades de memória, e, portanto de inteligência. Hoje, quando não somos mais obrigados a fazê-lo, precisamos de certa maneira nos impor esse exercício diário, sem o qual corremos o risco de atingir precocemente a senilidade.

JCC: Permita-me introduzir duas nuances no que você diz. É verdade que a memória é, digamos, um músculo, e que podemos treiná-la, como possivelmente a imaginação. Sem com isso virarmos o Funes de Borges, que você mencionava anteriormente, um homem que se lembra de tudo, que perdeu o doce privilégio de esquecer. E, não obstante: ninguém aprendeu mais textos do que os atores de teatro. Ora, a despeito desse trabalho, dessa aplicação de toda uma vida, conhecemos muitos exemplos de Alzheimer entre os atores e me perguntei frequentemente por quê. Depois, me impressiona, e provavelmente a você também, a coincidência entre o desenvolvimento da memória artificial, aquela que é armazenada em nossos computadores e que parece absolutamente infinita, e a do mal de Alzheimer, como se as máquinas houvessem alcançado o humano, tornando nossa memória inútil, irrisória. Não precisamos mais ser nós mesmos. É espantoso e bastante aterrador, não acha?

UE: Convém certamente distinguir a função do suporte material. Caminhar preserva a função da minha perna, mas posso quebrá-la, e, nesse caso, não ando mais. Podemos dizer a mesma coisa do cérebro. Evidentemente, se a massa cinzenta for objeto de algum tipo de degenerescência física, o fato de ter decorado diariamente dez versos de Racine não basta. Um amigo meu, Giorgio Prodi, irmão de Romano Prodi, grande cancerologista, que por sinal morreu de câncer, quando seu cérebro sabia abalizadamente tudo sobre o assunto, me dizia: "Se amanhã vivêssemos todos até os cem anos, a maioria de nós morreria de câncer." Quanto mais aumenta a duração da vida, mais aumentam as probabilidades de o corpo humano degringolar. Quero dizer com isso que o nosso Alzheimer talvez seja simplesmente a consequência do fato de vivermos mais tempo.

JCC: Objeção, cavalheiro. Li recentemente um artigo numa revista médica sugerindo que o Alzheimer rejuvenescia. Pessoas de 45 anos podem ser vítimas dele.

UE: Muito bem. Então vou parar de decorar os poemas e passar a beber duas garrafas de uísque por dia. Obrigado por ter me dado uma esperança. "Merdra!", como dizia Ubu.

JCC: Lembro-me justamente, minha memória funciona na hora certa, da seguinte citação: "Guardei a lembrança de um homem que tinha uma memória extraordinária. Mas esqueci o que ele sabia." Logo, não me lembro senão do esquecimento. Dito isto, creio que nossa conversa agora permite lembrar a distinção que a língua francesa faz entre o saber e o conhecimento. O saber é tudo com que somos entupidos e que nem sempre tem uma utilidade. O conhecimento é a transformação de um saber numa experiência de vida. Logo, talvez possamos confiar o fardo desse saber incessantemente renovado a máquinas e nos concentrar no conhecimento. É provavelmente nesse sentido que convém entender a frase de Michel Serres. Com efeito, só nos resta — que consolo — a inteligência. Acrescentemos que, naturalmente, se uma crise ecológica significativa demolir a raça humana e se, por acidente ou por deterioração, desaparecermos, essas questões que colocamos a respeito da memória, e que debatemos, serão acusadas de vaidade, de absurdo. Tenho na cabeça a última frase das Mitológicas, de Lévi-Strauss: "Isto é, nada." "Nada" é a última palavra. Nossa última palavra.


Nenhum comentário: