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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

As evidências da Evolução (Richard Dawkins) - início



 

O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA

- As evidências da Evolução -


RICHARD DAWKINS


Sumário:

Prefácio

1. Apenas uma teoria?

2. O cão, a vaca e a couve

3. Sedução para apresentar a macroevolução

4. Relógios

5. Bem diante dos nossos olhos

6. Elo perdido? Como assim, "perdido"?

7. Pessoas perdidas? Foram encontradas!

8. Você fez isso em nove meses

9. A arca dos continentes

10. A árvore de parentesco

11. A história escrita em todo o nosso corpo

12. Corridas armamentistas e teodiceia  evolucionária

13. Há grandeza nessa visão da vida

Apêndice — Os negadores da história

* * * * *

Prefácio

As evidências da evolução aumentam a cada dia e nunca foram tão eloquentes. Ao mesmo tempo, paradoxalmente, a oposição mal-informada também é hoje a mais forte de que me recordo. Este livro é meu resumo pessoal das evidências de que a "teoria" da evolução é na verdade um fato — um fato incontestável como qualquer outro da ciência.

Este não é o primeiro livro que escrevo sobre a evolução, e preciso explicar o que ele tem de diferente. Ele pode ser considerado o meu elo perdido. O gene egoísta e O Fenótipo extendido apresentaram uma visão incomum da bem conhecida teoria da seleção natural, mas não analisaram as evidências da evolução propriamente ditas.

Meus três livros seguintes procuraram, cada um a seu modo, identificar e derrubar as principais barreiras ao entendimento. Essas três obras, O relojoeiro cego, O rio que saía do Éden e A escalada do monte Improvável (das três a minha favorita), deram uma resposta a questões como "De que serve metade de um olho?", "Para que serve meia asa?", "Como a seleção natural pode atuar se a maioria das mutações tem efeitos negativos?". No entanto, embora tirassem pedras do caminho, eles também não apresentaram as evidências em si de que a evolução é um fato.

Meu livro mais vasto, A grande história da evolução, descreve todo o trajeto percorrido pela história da vida na forma de uma peregrinação em estilo chauceriano: uma volta ao passado em busca dos nossos ancestrais. Mas também ele pressupõe o fato da evolução.

Reexaminando esses livros, me dei conta de que as evidências da evolução não foram explicitadas e de que essa era uma grave lacuna que eu precisava eliminar. O ano de 2009, bicentenário do nascimento de Darwin e sesquicentenário de A origem das espécies, pareceu-me um bom momento.

Não é de surpreender que essa mesma ideia tenha ocorrido a outros autores, e com isso excelentes obras vieram à público neste ano, com destaque para Why evolution is true, de Jerry Coyne. Minha resenha favorita desse livro, publicada no Times Literary Supplement, é reproduzida em http://richarddawkins.net/article3594.

O título provisório com que meu agente literário, o visionário e incansável John Brockman, ofereceu este meu livro aos editores foi Apenas uma teoria. Descobriu-se depois que Kenneth Miller já usara esse título para o livro que foi sua réplica a um daqueles notáveis julgamentos que ocasionalmente decidem o destino do ensino da ciência (um julgamento no qual ele desempenhou papel heróico). De qualquer modo, eu duvidava mesmo de que esse título fosse adequado para meu livro e prontamente o deixei de lado quando descobri que o título perfeito estivera à espreita todo aquele tempo.

Alguns anos atrás um simpatizante anônimo mandou-me uma camiseta com um lema em tom meio circense: "Evolução: única na vida. O maior espetáculo da Terra". De vez em quando eu a uso em minhas conferências com esse título, e de repente me ocorreu que ele era ideal para este livro, ainda que longo demais se fosse usado na íntegra. Abreviei-o então para "O maior espetáculo da Terra". A frase "Apenas uma teoria", com um ponto de interrogação para me precaver contra os deturpadores de citações, serviria bem para o título do capítulo 1.

Muitas pessoas me ajudaram de vários modos, entre elas Michael Yudkin, Richard Lenski, George Oster, Caroline Pond, Henri D. Grissino-Mayer, Jonathan Hodgkin, Matt Ridley, Peter Holland, Walter Joyce, Yan Wong, Will Atkinson, Latha Menon, Christopher Graham, Paula Kirby, Lisa Bauer, Owen Selly, Victor Flynn, Karen Owens, John Endler, Iain Douglas-Hamilton, Sheila Lee, Phil Lord, Christine DeBlase e Rand Russell. Sally Gaminara e Hilary Redmon, com sua equipe na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, respectivamente, foram muito solícitas e competentes.

Em três ocasiões durante as etapas finais da produção do livro, novas e fascinantes descobertas foram relatadas em publicações científicas. Em todas elas perguntei timidamente se seria possível violar a organização dos complexos procedimentos editoriais para inserir o novo achado. E em todas essas ocasiões, longe de resmungar contra essas perturbadoras alterações de última hora, como faria qualquer profissional normal da área editorial, Sally e Hillary receberam a sugestão com animação e moveram montanhas para viabilizá-la.

Contei com igual entusiasmo e presteza de Cillian Somerscales, que cuidou da editoração de texto e paginação com inteligência e sensibilidade de literato. Minha mulher, Laila Ward, mais uma vez apoiou-me com inquebrantável incentivo, úteis recomendações estilísticas e sugestões caracteristicamente elegantes.

O livro foi concebido e iniciado durante meus últimos meses na cátedra que tem o nome de Charles Simonyi, e concluído depois que me aposentei. Em minha despedida como titular dessa cadeira, catorze anos e sete livros depois do nosso fundamental primeiro encontro, quero mais uma vez expressar meu gratíssimo apreço por Charles. Laila compartilha comigo o desejo de que nossa amizade prossiga por longo tempo.

Este livro é dedicado a Josh Timonen, com meus agradecimentos a ele e ao pequeno e dedicado grupo que originalmente o ajudou na criação do site RichardDawkins.net. Josh é conhecido na internet como um inspirado designer de sites, mas essa é apenas a ponta de um impressionante iceberg. O talento criativo de Joseph é profundo, mas a imagem do iceberg não capta a versátil abrangência de suas contribuições para nosso empreendimento conjunto nem o caloroso bom humor que ele imprime ao trabalho.

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