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quarta-feira, 2 de março de 2016

Geografia do Brasil (Schneeberger & Farago) - 1

(Continuação da obra "Geografia do Brasil",
de Carlos Schneeberger & Luiz Farago)


Capítulo 1 - Geografia do Brasil: panorama geral


Brasil visto do espaço (foto da NASA)


1. O espaço que ocupamos: aspectos gerais

O Brasil, com 8.547.403,5 km², é um país de dimensões continentais. Sua área terrestre corresponde a 8.491.194 km², e suas águas internas, a 55.547 km².

Entre todos os países de dimensões continentais, é o único cujo território é totalmente habitável. Isso não ocorre, por exemplo, nas áreas geladas do Canadá, nas regiões desérticas da China e da Austrália, nas regiões das Montanhas Rochosas e nos desertos dos Estados Unidos. Também a Federação Russa, o país com a maior extensão territorial do mundo (17.075.400 km2), tem enormes dificuldades de ocupar a vasta planície siberiana, em grande parte ainda desértica devido ao frio rigoroso.

O primeiro cálculo oficial da superfície brasileira ocorreu em 1922. Estimou-se, então, que nosso território teria 8.511.189 km². Como se explica essa diferença de 36 mil km² em relação à atual estimativa oficial, se não houve incorporação de áreas? A diferença é uma conseqüência do desenvolvimento da cartografia, que tem utilizado tecnologias mais modernas, resultando em informações cada vez mais precisas.

No Brasil, não há nenhuma cadeia montanhosa suficientemente elevada e nenhuma região desértica que possam dificultar, ou mesmo impedir, sua ocupação populacional. Em nenhuma região a pluviosidade média anual é inferior a 300 mm – e o limite convencionado para caracterizar uma zona desértica é de 250 mm. Não há altitudes que ultrapassem 3.200 m; nada de geleiras ou neves eternas. E as quedas de neve, para tristeza de muitos, ocorrem apenas em algumas regiões serranas do Sul. Assim, todas as regiões têm uma grande importância no presente e, certamente, um enorme valor potencial no futuro.

Nesse sentido, pode-se dizer que o Brasil é um país com um futuro promissor. Entre todos os países do mundo é o que tem a maior capacidade de aproveitamento espacial.

A grande extensão territorial brasileira possibilita a expansão da agricultura e pecuária, graças à diversidade de zonas climáticas. O potencial de recursos vegetais e minerais é bastante amplo.

Mas a mesma extensão territorial traz consigo uma série de problemas, como as grandes distâncias a serem vencidas por rodovias e ferrovias, cujas construções são custosas. A distância entre São Paulo e Porto Alegre, por exemplo, corresponde à distância entre Lisboa, em Portugal, e Frankfurt, na Alemanha.

Essas grandes distâncias a serem percorridas encarecem os custos de produção e transporte, criam problemas de diferenciação social, política e econômica entre as várias regiões do país.

Com um formato semelhante ao de um triângulo de cabeça para baixo, nosso país está situado na porção centro-oriental da América do Sul, entre as latitudes +5º 16’ 20” N e –33º 47’ 32” S. Isto significa que 93% do seu território está localizado no hemisfério sul. Apresenta distâncias enormes, mas notavelmente equilibradas, de um extremo a outro. A maior extensão no sentido norte-sul (4.394 km) é pouco maior que a no sentido leste-oeste (4.319 km).

Ao norte, o ponto extremo se localiza na nascente do rio Ailã, no monte do Caburaí, estado de Roraima (5º 16’ de latitude norte). No extremo sul, está o arroio Chuí, na divisa entre o Uruguai e o Brasil (33º 45’ de lati- tude sul). A oeste, a nascente do rio Moa, na serra de Contamana ou Divisor, na fronteira do estado do Acre com o Peru (73º 50’ de longitude oeste), e a leste, a ponta do Seixas, na Paraíba (34º 45’ de longitude oeste). Seu centro geográfico fica na margem esquerda do rio Jarina, perto de Barra do Garças, em Mato Grosso.

O Brasil tem 23.086 km de fronteiras, sendo 15.719 km terrestres e 7.367 km marítimas. A fronteira atlântica se estende da foz do rio Oiapoque, no cabo Orange (AP) no Norte, ao arroio Chuí (RS), no Sul. Apenas dois países sul-americanos não têm fronteiras com nosso país: o Chile e o Equador. As fronteiras terrestres são dos mais variados tipos, mas com predomínio das naturais (rios, lagos e serras).

Por causa da grande extensão leste-oeste, o território brasileiro, incluindo as ilhas oceânicas, estende-se por quatro fusos horários, sendo três sobre sua parte continental. Possui, assim, quatro horas diferentes. O segundo fuso horário, onde está localizada Brasília, a capital federal, determina a hora oficial do país.

Em cada faixa de 15º entre pares de meridianos ocorre a variação de uma hora. Todos os fusos horários do Brasil possuem horas atrasadas em relação a Greenwich, o que é determinado pelo fato de estar o país totalmente situado a oeste desse meridiano, na área de Londres (Hemisfério Ocidental).

1º fuso horário brasileiro - Perpassa as ilhas oceânicas do país (arquipélago de Fernando de Noronha, atol das Rocas, penedos de São Pedro e São Paulo, Trindade e Martim Vaz). É o menos importante, por abranger uma diminuta área e pouca população. É o segundo fuso a oeste de Greenwich, estando, portanto, duas horas atrasado em relação a este e uma hora adiantado em relação a Brasília.

2º fuso horário brasileiro - É o mais importante, por conter a maior parte da população brasileira, bem como grande parte do território nacional. Esse fuso abrange o Amapá, o leste do rio Xingu no Pará, Tocantins, Goiás, Distrito Federal, além de todos os estados das regiões Nordeste, Sudeste e Sul. Está três horas atrasado em relação a Greenwich.

3º fuso horário brasileiro - Contém a porção do Pará a oeste do rio Xingu, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e quase todo o estado do Amazonas, excetuando-se sua porção extremo oeste. Está quatro horas atrasado em relação a Greenwich e uma hora em relação a Brasília.

4º fuso horário brasileiro - Contém o extremo oeste do estado do Amazonas e o estado do Acre, estando cinco horas atrasado em relação a Greenwich e duas horas em relação a Brasília.

Embora tenha sido aplicado no Brasil pela primeira vez durante o Estado Novo (1937-1945), o horário de verão foi adotado anualmente a partir de 1985. A região abrangida deve adiantar os relógios uma hora em determinado dia do ano. Na região que adota o horário de verão, a duração do dia é significativamente mais longa que a da noite, o que retarda a entrada do pico de consumo de energia elétrica, quando as luzes das casas são acesas. Estima-se uma economia de 1% de energia.


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