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segunda-feira, 18 de abril de 2016

Estudo dos substantivos (Pasquale & Ulisses)

(Continuação da obra "Gramática da Língua Portuguesa", 
de Pasquale & Ulisses)



CAPÍTULO 9 
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS


"Este treco serve pra você nunca mais esquecer o nome daquele coiso."
Conhecer bem os substantivos constitui tarefa crucial para quem deseja se expressar com precisão na norma culta. Caso contrário, corre-se o risco de apelar para "substantivos" como "trecos" e "coisos".

1. CONCEITO 

Substantivo é a palavra que nomeia os seres. O conceito de seres deve incluir os nomes de pessoas, de lugares, de instituições, de grupos, de indivíduos e de entes de natureza espiritual ou mitológica: 
mulher  
sociedade   
vegetação    
alma 
Maria            
senado               
paineira    
anjo 
Brasil            
cidade               
cavalo    
sereia 
Teresina          
comunidade   
cidadão    
saci 

Além disso devem incluir nomes de ações, estados, qualidades, sensações, sentimentos:
acontecimento, honestidade, amor, correria, miséria, liberdade, encontro, integridade, cidadania, etc.

2. CLASSIFICAÇÃO 

Quanto à sua formação, os substantivos são classificados em simples e compostos, primitivos ou derivados. Quanto ao seu significado e abrangência, em concretos e abstratos, comuns e próprios.

SUBSTANTIVOS SIMPLES E COMPOSTOS 

Os substantivos simples apresentam um único radical em sua estrutura: 
chuva, livro, livreiro, guarda, flor, desenvolvimento

SUBSTANTIVOS PRIMITIVOS E DERIVADOS 

Os substantivos que não provêm de qualquer outra palavra da língua são chamados de primitivos:  
árvore, folha, flor, carta, dente, pedra

Os substantivos  formados a partir de outras palavras da língua pelo processo de derivação são chamados de derivados: 
arvoredo, folhagem, florista, florada, carteiro, dentista, pedreiro, cartada

SUBSTANTIVOS CONCRETOS E ABSTRATOS 

Os substantivos que dão nome a seres de existência [conceitualmente] independente, reais ou imaginários, são chamados concretos. São exemplos de substantivos concretos: 
armário 
cidade           
formiga 
sereia    
abacateiro        
Deus 
homem            
vento               
Brasil

Note que são considerados concretos os substantivos que nomeiam divindades ou seres fantásticos, pois, existentes ou não, são tomados sempre como seres dotados de vida própria.

Já os substantivos que dão nome a estados, qualidades, sentimentos ou ações são chamados abstratos. São exemplos de substantivos abstratos: 
tristeza  
amor       
maturidade 
atenção 
clareza       
brancura 
beijo            
ética       
abraço 
honestidade 
conquista    
paixão 

Em todos esses casos, nomeiam-se conceitos cuja existência depende sempre de um ser para manifestar-se: é necessário alguém ser ou estar triste para a tristeza manifestar-se; é necessário alguém beijar ou abraçar para que ocorra um beijo ou um abraço.

Purificação e suplício são exemplos de substantivos abstratos: para que haja punição ou suplício, é necessário que alguém se purifique ou se suplicie.

SUBSTANTIVOS COMUNS E PRÓPRIOS 

Os substantivos que designam todo e qualquer indivíduo de uma espécie de seres são chamados comuns. É o caso de substantivos como: 
homem 
montanha 
professor 
mulher            
planeta 
país 
rio            
animal 
estrela

Aqueles que designam um indivíduo particular de uma determinada espécie são chamados próprios: 
José            
Coimbra 
Angola 
Ana 
Marte           
Gibraltar 
Araguaia 
Simão           
Brasil

SUBSTANTIVOS COLETIVOS 

Há um tipo de substantivo comum que nomeia conjuntos de seres de uma mesma espécie: é o chamado substantivo coletivo. 
Colocamos a seguir uma relação dos principais coletivos da língua portuguesa; lendo-a atentamente, você vai perceber que muitos deles são de uso bastante comum e facilitam a construção de frases mais concisas e precisas.

COLETIVOS QUE INDICAM GRUPOS DE PESSOAS 

assembléia - pessoas reunidas 
banca - examinadores 
banda - músicos 
bando - desordeiros ou malfeitores 
batalhão - soldados 
camarilha - bajuladores 
cambada - desordeiros ou malfeitores 
caravana - viajantes ou peregrinos 
caterva - desordeiros ou malfeitores 
choldra - assassinos ou malfeitores 
chusma - pessoas em geral 
claque - pessoas pagas para aplaudir 
clero - religiosos 
colônia - imigrantes 
comitiva - acompanhantes 
corja - ladrões ou malfeitores 
coro - cantores 
corpo - eleitores, alunos, jurados 
elenco - atores de uma peça ou filme
falange - tropas, anjos, heróis 
horda - bandidos, invasores 
junta - médicos, examinadores, credores
júri - jurados 
legião - soldados, anjos, demônios 
leva - presos, recrutas 
malta - malfeitores ou desordeiros 
multidão - pessoas em geral 
orquestra - músicos 
pelotão - soldados 
platéia - espectadores 
plêiade - poetas ou artistas 
plantel - atletas, bovinos ou eqüinos selecionados 
prole - filhos 
quadrilha - ladrões ou malfeitores 
roda - pessoas em geral 
ronda - policiais em patrulha 
súcia - desordeiros ou malfeitores 
tertúlia - amigos, intelectuais 
tripulação - aeroviários ou marinheiros 
tropa -  soldados, pessoas 
turma - estudantes, trabalhadores, pessoas em geral

COLETIVOS QUE INDICAM CONJUNTOS DE ANIMAIS OU VEGETAIS

alcatéia - lobos 
buquê - flores 
cacho - frutas 
cáfila - camelos 
cardume - peixes 
colmeia - abelhas 
colônia - bactérias, formigas, cupins 
enxame - abelhas, vespas, marimbondos 
fato - cabras 
fauna - animais de uma região 
feixe - lenha, capim 
flora - vegetais de uma região 
junta - bois 
manada - animais de grande porte 
matilha - cães de caça
molho - verduras 
ninhada - filhotes de aves 
nuvem - insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.) 
panapaná - borboletas 
plantel - animais de raça 
ramalhete - flores 
rebanho - gado em geral 
récua - animais de carga 
réstia - alhos ou cebolas 
revoada - pássaros 
tropa - animais de carga 
vara - porcos

COLETIVOS QUE INDICAM OUTROS TIPOS DE CONJUNTOS 

acervo - obras artísticas 
antologia - trechos literários selecionados 
armada - navios de guerra 
arquipélago - ilhas 
arsenal - armas e munições 
atlas - mapas 
baixela - objetos de mesa 
bateria - peças de guerra ou de cozinha, instrumentos de percussão 
biblioteca - livros catalogados 
cancioneiro - poemas, canções 
cinemateca - filmes 
constelação - estrelas 
enxoval - roupas 
esquadra - navios de guerra 
esquadrilha - aviões 
frota - navios, aviões ou veículos em geral (ônibus, táxis, caminhões etc.) 
girândola - fogos de artifício 
hemeroteca - jornais e revistas arquivados 
molho - chaves
pinacoteca - quadros 
trouxa - roupas 
vocabulário - palavras

3. FLEXÕES

FLEXÕES DE GÊNERO 

Os substantivos em português podem pertencer ao gênero masculino ou ao gênero feminino. 
São masculinos os substantivos a que se pode antepor o artigo O:
o homem
o gato           
o dia 
o menino 
o mar           
o pó

São femininos os substantivos a que se pode antepor o artigo A: 
a mulher 
a gata       
a semana 
a menina 
a terra       
a mesa

O uso das palavras masculino e feminino costuma provocar confusão entre a categoria gramatical de gênero e a característica biológica dos sexos. Para evitar essa confusão, observe que definimos gênero como um fato ligado à concordância das palavras em seu relacionamento linguístico: pó, por exemplo, é um substantivo masculino pela concordância que estabelece com o artigo o, e não porque se possa pensar num possível comportamento sexual das partículas de poeira. 

Só faz sentido relacionar o gênero ao sexo quando se trata de palavras que designam pessoas e animais, como, por exemplo, os pares professor/professora ou gato/gata. Ainda assim, essa relação não é obrigatória, pois há palavras que, mesmo pertencendo exclusivamente a um único gênero, podem indicar seres do sexo masculino ou feminino. É o caso de criança, palavra do gênero feminino que pode designar seres dos dois sexos.

FORMAÇÃO DO FEMININO

SUBSTANTIVOS BIFORMES 

Os substantivos que designam seres humanos ou animais podem apresentar uma forma para o masculino e outra para o feminino; são, por isso, considerados substantivos biformes. 
Essas duas formas podem apresentar um mesmo radical ou radicais diferentes; no primeiro caso, a formação do feminino está ligada principalmente à terminação da forma masculina: a maior parte dos substantivos terminados em -o átono forma o feminino pela substituição desse -o por -a: 
menino/menina 
gato/gata 
pombo/pomba

A maior parte dos substantivos terminados em consoante forma o feminino pelo acréscimo da desinência -a: 
freguês/freguesa
camponês/camponesa 
remador/remadora 
professor/professora 
deus/deusa 
juiz/juíza

A maior parte dos substantivos terminados em -ão forma o feminino pela substituição de -ão por ã- ou -oa: 
cidadão/cidadã 
órfão/órfã 
anfitrião/anfitriã 
leão/leoa 
patrão/patroa 
leitão/leitoa

Nos aumentativos, a substituição é por -ona: 
sabichão/sabichona 
valentão/valentona 

Alguns substantivos ligados a títulos de nobreza, ocupações ou dignidades formam femininos em -esa, -essa, -isa: 
abade/abadessa 
conde/condessa 
visconde/viscondessa 
cônsul/consulesa 
duque/duquesa 
barão/baronesa 
poeta/poetisa 
profeta/profetisa 
sacerdote/sacerdotisa

Alguns substantivos terminados em -e formam o feminino com a substituição desse -e por -a: 
mestre/mestra 
elefante/elefanta 
infante/infanta 
monge/monja 
parente/parenta

Alguns substantivos apresentam formações irregulares para o feminino: 
avô/avó 
silfo/sílfide 
réu/ré 
herói/heroína 
rei/rainha 
marajá/marani

Entre os substantivos biformes cujas formas masculinas e femininas apresentam radicais diferentes, merecem destaque os seguintes pares: 

- relativos a seres humanos: 
cavaleiro/amazona 
frei/sóror ou soror 
padrasto/madrasta 
cavalheiro/dama 
genro/nora 
padrinho/madrinha 
compadre/comadre 
homem/mulher 
pai/mãe 
frade/freira 
marido/mulher

- e relativos a animais: 
boi, touro/vaca 
carneiro/ovelha 
zangão/abelha 
bode/cabra 
cavalo/égua

SUNSTANTIVOS COMUNS-DE-DOIS OU COMUNS DE DOIS GÊNEROS 

Há substantivos que apresentam uma única forma para os dois gêneros; são, por isso, chamados de uniformes. Nesses casos, a distinção entre a forma masculina e a feminina é feita pela concordância com um artigo ou outro determinante: o agente/a agente; aquele jornalista/aquela jornalista. Esses substantivos são tradicionalmente conhecidos como comuns-de-dois ou comuns de dois gêneros. Eis alguns exemplos:
o/a agente 
o/a dentista 
o/a intérprete 
o/a artista 
o/a estudante 
o/a jornalista 
o/a camarada 
o/a gerente 
o/a mártir 
o/a colega 
o/a imigrante 
o/a pianista 
o/a cliente
o/a indígena 
o/a suicida

SUBSTANTIVOS SOBRECOMUNS E EPICENOS 

Há ainda substantivos que designam seres humanos, animais ou vegetais e que são sempre do mesmo gênero, quer se refiram a seres do sexo masculino, quer se refiram a seres do sexo feminino. 

Os substantivos de um único gênero que se referem a seres humanos são tradicionalmente conhecidos como sobrecomuns. Eis alguns exemplos: 
o cônjuge 
a testemunha     
o indivíduo 
a criança 
a criatura     
a vítima
a pessoa

Os substantivos de um único gênero que designam animais e algumas plantas são tradicionalmente conhecidos como epicenos. Eis alguns exemplos: 
a águia            
a cobra 
o jacaré 
a baleia 
o besouro 
a palmeira 
a borboleta 
o crocodilo 
o mamoeiro

O gênero dos substantivos sobrecomuns e epicenos é sempre o mesmo; o que pode variar é o sexo do ser a que se referem. Quando se quer especificar esse sexo, constroem-se expressões como "criança do sexo masculino"; "um mamoeiro macho", "um mamoeiro fêmea"; "um macho de jacaré", "uma fêmea de jacaré". As palavras macho e fêmea podem concordar em gênero com o substantivo a que se referem: "onça macho" ou "onça macha", "tigre fêmea" ou "tigre fêmeo".

SUBSTANTIVOS DE GÊNERO VACILANTE 

Há muitos substantivos cujo emprego, mesmo na língua culta, apresenta oscilação de gênero. Em alguns casos, pode-se recomendar a adoção de um dos dois gêneros; em outros, consideram-se aceitáveis ambos os usos. Apresentamos a seguir os principais casos: 

- gênero masculino: 
o aneurisma             
o clã             
o eczema 
o matiz 
o apêndice             
o dó [nota musical]          
o guaraná 
o plasma 
o champanha             
o eclipse 
o magma 
o tracoma

- gênero feminino: 
a agravante    
a couve    
a comichão      
a entorse 
a aguardente    
a couve-flor    
a derme      
a gênese 
a alface    
a cal                
a dinamite      
a omoplata
a bacanal    
a cataplasma    
a ênfase      
a sentinela

- usados em ambos os gêneros:
o/a aluvião  
o/a caudal 
o/a personagem 
o/a tapa 
o/a amálgama  
o/a sabiá 
o/a suéter            
o/a usucapião

GÊNERO E MUDANÇA DE SIGNIFICADO 

Há substantivos cuja mudança de gênero acarreta mudança de significado. Observe a seguir os principais casos:
o cabeça: chefe, líder 
a cabeça: parte do corpo ou de um objeto, pessoa muito inteligente 

o capital: conjunto de bens 
a capital: cidade onde se localiza a sede do Poder Executivo 

o crisma: óleo usado num dos sacramentos religiosos 
a crisma: cerimônia religiosa 

o cura: sacerdote 
a cura: ato ou efeito de curar 

o língua: intérprete 
a língua: músculo do aparelho digestivo; idioma 

o moral: ânimo, brio 
a moral: conjunto de valores e regras de comportamento

Em alguns casos, o que ocorre não é flexão de gênero, e sim homonímia: trata-se de palavras iguais na forma, mas de origem, gênero e significado diferentes. As principais são: 

o cisma: separação, dissidência 
a cisma: preocupação, suspeita 

o grama: unidade de massa 
a grama: relva, planta rasteira 

o lente: professor 
a lente: instrumento óptico

FLEXÃO DE NÚMERO 

Os substantivos flexionam-se também em número: podem assumir a forma do singular (referem-se a um único ser ou a um único conjunto de seres) ou do plural (referem-se a mais de um ser ou conjunto de seres).

FORMAÇÃO DO PLURAL

SUBSTANTIVOS SIMPLES 

Acrescenta-se a desinência -s aos substantivos terminados em vogal ou em ditongo oral, e -ãe aos terminados em ditongo nasal:
casa/casas     
peru/perus         
pai/pais
dente/dentes     
sofá/sofás            
lei/leis 
saci/sacis        
ipê/ipês 
herói/heróis         
cipó/cipós            
maçã/maçãs               
mãe/mães

Destaquem-se as formas avôs (o avô materno e o paterno) e avós (casal formado por vô e avó, ou plural de avó; também indica os antepassados de um modo geral).

A maioria dos substantivos terminados em -ão forma o plural substituindo essa terminação por -ões (incluem-se nesse grupo os aumentativos): 
balão/balões             
eleição/eleições   
figurão/figurões 
botão/botões             
leão/leões            
sabichão/sabichões 
coração/corações 
opinião/opiniões 
vozeirão/vozeirões

Os paroxítonos terminados em -ão e alguns poucos oxítonos e monossílabos formam o plural pelo simples acréscimo de -s: 
sótão/sótãos            
cidadão/cidadãos 
chão/chãos 
bênção/bênçãos          
cristão/cristãos 
grão/grãos 
órfão/órfãos     
irmão/irmãos            
vão/vãos 
órgão/órgãos            
mão/mãos

Alguns substantivos terminados em -ão formam o plural substituindo essa terminação por -ães: 
alemão/alemães 
capitão/capitães   
pão/pães 
cão/cães            
charlatão/charlatães   
sacristão/sacristães 
capelão/capelães 
escrivão/escrivães   
tabelião/tabeliães

Em alguns casos, há mais do que uma forma aceitável para esses plurais; a tendência da língua portuguesa atual do Brasil é utilizar a forma de plural em -ões: 

ancião 
- anciões, anciães, anciãos 

guardião 
- guardiões, guardiães 

ermitão 
- ermitões, ermitães, ermitãos 

verão 
- verões, verãos 

anão 
- anões, anãos 

vilão 
- vilões, vilãos 

Acrescenta-se a desinência -s aos substantivos terminados em -m. Essa letra é substituída por -n-  na forma do plural: 
homem/homens     
jardim/jardins
som/sons 
atum/atuns 

Os substantivos terminados em -r e -z formam o plural com o acréscimo de -es: 
mar/mares 
açúcar/açúcares 
hambúrguer/hambúrgueres 
raiz/raízes 
rapaz/rapazes 
cruz/cruzes

Destaquem-se os plurais de caráter, júnior e sênior: caracteres, juniores e seniores, formas em que ocorre também deslocamento da sílaba tônica.

Os substantivos terminados em -s formam o plural com acréscimo de -es; quando paroxítonos ou proparoxítonos, são invariáveis - o que faz com que a indicação de número passe a depender de um artigo ou outro determinante: 
gás/gases 
obus/obuses 
um lápis/dois lápis 
mês/meses 
o atlas/os atlas 
algum ônibus/vários ônibus 
país/países 
o pires/os pires 
o vírus/os vírus

Os substantivos terminados em -al,-el, -ol e -ul formam o plural pela transformação do -l dessas terminações em -is: 
canal/canais 
álcool/álcoois 
papel/papéis 
paul/pauis 
anzol/anzóis

Destaquem-se os plurais de mal, real (quando nome de moeda) e cônsul, respectivamente males, réis e cônsules. Para gol, já houve quem propusesse goles ou gois, mas a forma consagrada pelo uso é gols, estranha aos mecanismos da língua portuguesa.

Os substantivos oxítonos terminados em -il trocam o -l pelo -s; os paroxítonos trocam essa terminação por -eis: 
barril/barris 
ardil/ardis 
funil/funis 
fuzil/fuzis 
fóssil/fósseis 
projétil/projéteis 
réptil/répteis

Além das formas paroxítonas apresentadas acima, existem as formas oxítonas projetil e reptil, que fazem os plurais projetis e reptis, oxítonos.

Os substantivos terminados em -n formam o plural pelo acréscimo de -s ou -es: 
abdômen/abdomens ou abdômenes 
gérmen/germens ou gérmenes 
hífen/hífens ou hífenes 
líquen/liquens ou líquenes

No português do Brasil, há acentuada tendência para o uso das formas obtidas pelo acréscimo de -s. Observe que, quando paroxítonas, essas formas de plural não recebem acento gráfico.

Destaque-se cânon, cujo plural é a forma cânones.

Os substantivos terminados em -x são invariáveis; a indicação de número depende da concordância com algum determinante: 
o tórax/os tórax 
um clímax/alguns clímax

Existem alguns substantivos terminados em -x que apresentam formas variantes terminadas em -ce; nesses casos, deve-se utilizar a forma plural da variante: 
o cálix ou cálice/ os cálices 
o códex ou códice/ os códices

Nos diminutivos formados pelo acréscimo do sufixo -zinho (mais raramente -zito), a formação do plural deve ser feita tanto na terminação do substantivo primitivo (com posterior supressão do -s) como na do sufixo: 
balãozinho/balõezinhos 
colarzinho/colarezinhos 
anzolzinho/anzoizinhos 
papelzinho/papeizinhos 
pãozinho/pãezinhos 
florzinha/florezinhas

No caso de diminutivos formados a partir de substantivos terminados em -r, há acentuada tendência na língua atual do Brasil para limitar-se o plural à terminação da forma derivada: 
colarzinho/colarzinhos
florzinha/florzinhas
mulherzinha/mulherzinhas
Essa forma de plural é repudiada pela norma culta.

Metafonia 

Há muitos substantivos cuja formação do plural não se manifesta apenas por meio de modificações morfológicas, mas também implica alteração fonológica. Nesses casos, ocorre um fenômeno chamado metafonia, ou seja, a mudança de som entre uma forma e outra. Trata-se da alternância do timbre da vogal, que é fechado na forma do singular e aberto na forma do plural. Observe os pares abaixo (ler o singular como ô e o plural como ó): 
aposto/apostos 
caroço/caroços 
corno/cornos 
corpo/corpos 
corvo/corvos 
esforço/esforços 
fogo/fogos 
imposto/impostos 
miolo/miolos 
osso/ossos
poço/poços 
porto/portos 
povo/povos 
socorro/socorros 
forno/fornos 
jogo/jogos 
olho/olhos 
ovo/ovos 
porco/porcos 
posto/postos 
reforço/reforços 
tijolo/tijolos

É importante que você atente na pronúncia culta desses plurais quando estiver utilizando a língua falada em situações formais.

SUBSTANTIVOS COMPOSTOS 

A formação do plural dos substantivos compostos depende da forma como são grafados, do tipo de palavras que formam o composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são grafados ligadamente (isto é, sem hífen) comportam-se como os substantivos simples:
aguardente/aguardentes 
malmequer/malmequeres 
girassol/girassóis 
pontapé/pontapés

O plural dos substantivos compostos cujos elementos são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e discussões. Algumas orientações são dadas a seguir.

Nos compostos em que o primeiro elemento é um verbo ou uma palavra invariável (normalmente um advérbio) e o segundo elemento é um substantivo ou um adjetivo, coloca-se apenas o segundo elemento no plural: 
beija-flor/beija-flores 
alto-falante/alto-falantes 
bate-boca/bate-bocas 
grão-duque/grão-duques 
sempre-viva/sempre-vivas

Assemelham-se a esses substantivos aqueles formados pelo acréscimo de um prefixo ligado por hífen: 
vice-presidente/vice-presidentes 
abaixo-assinado/abaixo-assinados 
auto-elogio/auto-elogios 
recém-nascido/recém-nascidos 
ex-namorado/ex-namorados

Nos compostos em que os dois elementos são variáveis, ambos vão para o plural: 
guarda-civil/guardas-civis 
bóia-fria/bóias-frias 
cota-parte/cotas-partes 
sexta-feira/sextas-feiras 
mão-boba/mãos-bobas 
peso-mosca/pesos-moscas

Nos casos em que o segundo elemento dá idéia de finalidade ou semelhança ou limita o primeiro, manda a tradição que só se pluralize o primeiro. Note que isso se restringe aos substantivos compostos formados por dois substantivos: 
pombo-correio/pombos-correio 
salário-família/salários-família 
banana-maçã/bananas-maçã 
escola-modelo/escolas-modelo 
café-concerto/cafés-concerto 
navio-escola/navios-escola 

A tendência na língua portuguesa atual do Brasil é a pluralização dos dois elementos mesmo nesse caso. É o que se nota quando se consulta o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, em que alguns dos substantivos acima surgem com duas formas abonadas para o plural (salários-família e salários-famílias, por exemplo).

Nos compostos em que os elementos formadores são unidos por preposição, apenas o primeiro elemento vai para o plural: 
palma-de-santa-rita/palmas-de-santa-rita 
pé-de-moleque/pés-de-moleque 
mula-sem-cabeça/mulas-sem-cabeça 
pão-de-ló/pães-de-ló

Nos compostos formados por palavras repetidas ou onomatopaicas, apenas o segundo elemento varia: 
reco-reco/reco-recos 
tico-tico/tico-ticos 
tique-taque/tique-taques 
pingue-pongue/pingue-pongues

Merecem destaque os seguintes substantivos compostos: 
o bota-fora/os bota-fora 
o topa-tudo/os topa-tudo 
o pára-quedas/os pára-quedas 
o salva-vidas/os salva-vidas 
o diz-que-diz/os diz-que-diz 
o bem-te-vi/ os bem-te-vis 
o faz-de-conta/os faz-de-conta
o arco-íris/os arco-íris 
o louva-a-deus/os louva-a-deus 
o pisa-mansinho/os pisa-mansinho 
o bem-me-quer/os bem-me-queres

FLEXÃO DE GRAU 

Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir intensificação, exagero, atenuação, diminuição ou mesmo deformação de seu significado. Essas modificações, que constituem as variações de grau do substantivo, são tradicionalmente consideradas um mecanismo de flexão. Você perceberá, no entanto, que não se trata de mecanismos de flexão - obrigatórios para a manutenção da concordância nas frases -, mas sim de processos de derivação e de caracterização sintática.

FORMAÇÃO DE GRAU 

Os graus aumentativo e diminutivo dos substantivos podem ser formados por dois processos: 

a) o sintético - consiste no acréscimo de sufixos aumentativos ou diminutivos à forma normal do substantivo. É, na verdade, um típico caso de derivação sufixal: 
rato - ratão (aumentativo sintético) 
rato - ratinho (diminutivo sintético)

b) o analítico - a forma normal do substantivo é modificada por adjetivos que indicam aumento ou diminuição de proporções. E um caso típico de determinação sintática: 
rato - rato grande (aumentativo analítico) 
rato pequeno (diminutivo analítico)

No uso efetivo da língua, as formas sintéticas de indicação de grau são normalmente empregadas para conferir valores afetivos aos seres nomeados pelos substantivos. Observe formas como amigão, partidão, bandidaço, mulheraço; livrinho, ladrãozinho, rapazola, futebolzinho - em todas elas, o que interessa é transmitir dados como carinho, admiração, ironia ou desprezo, e não noções ligadas ao tamanho físico dos seres nomeados.

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