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domingo, 22 de maio de 2016

A eficiência dos serviços não-regulamentados

- Artigo de Fabio Blanco
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, sancionou uma lei que, simplesmente, proíbe a oferta dos serviços Uber na capital. Para não parecer muito retrógrado, porém, criou uma norma que, na verdade, sequestra a ideia do Uber, oficializando os serviços, regulamentando-os e, obviamente, taxando-os. E, como era de se esperar, a empresa já se manifestou informando que não se enquadra nas exigências do prefeito.
A decisão da prefeitura, porém, só é possível porque o brasileiro médio tem uma mentalidade muito estatista. Órfão de Getúlio Vargas, herdeiro do pensamento de que o Estado é um pai, ele não consegue pensar sua vida sem o auxílio do governo. Mais ainda, depende do governo para quase tudo. Ele sequer cogita uma vida onde o Estado não interfira. Saúde, educação, transporte, aposentadoria, tudo é esperado do governo e tudo é cobrado do governo. O poder público é visto como um amigo, um sócio, um provedor.
Por isso, empreendimentos como o Uber, o Airbnb e outros que dispensam completamente a intervenção estatal e se auto-regulam são vistos com estranheza pelo brasileiro. Eles temem tratar diretamente com uma empresa que não tem os olhos estatais sobre ela. Eles acreditam, sinceramente, que, se o governo não estiver diretamente fiscalizando e regulando, estarão desprotegidos, à mercê dos abusos de empresários gananciosos, prontos para levar vantagem sobre eles.
O brasileiro médio não acredita na livre iniciativa e não crê que a própria sociedade pode regular-se a si mesma. Para contrariá-lo, porém, veja o exemplo do Mercado Livre. Aquilo tinha tudo para dar errado. Uma empresa reúne, de maneira virtual, gente do país inteiro, vendendo bugigangas, produtos chineses e peças usadas, sem qualquer garantia, sem qualquer fiscalização estatal, sem qualquer regulamentação legal. O consumidor compra um produto qualquer e o vendedor, que, muitas vezes, sequer possui uma loja física, envia, pelos correios, após o pagamento pelo cliente, a encomenda. Qual a chance disso dar certo? Como fiscalizar um negócio tão anárquico?
Outro exemplo é o da Estante Virtual. Nela estão reunidos sebos do país inteiro que despacham, para qualquer canto do Brasil, seus livros usados. Quem frequenta sebos sabe que a organização não é a característica marcante desses empreendimentos. Como, então, esse tipo de venda pôde dar certo?
E apesar de tudo isso, para espanto de muitos estatistas por aí, os negócios funcionam perfeitamente. Já fiz várias compras no Mercado Livre e quase uma centena na Estante Virtual, e sabe quantas vezes tive algum problema neles? Absolutamente nenhuma! Todas as minhas compras chegaram em perfeito estado e tudo o que encomendei chegou exatamente como pedi.
Qual é o segredo, portanto, desses empreendimentos que dispensam a regulamentação estatal e têm seu controle exercido diretamente pelos consumidores?
Esses negócios baseados na internet funcionam, simplesmente, porque vivem de sua credibilidade. Para prosperarem, é necessário que os consumidores confiem nos serviços. Portanto, o empresário precisa criar mecanismos muito eficientes de controle para que tudo funcione corretamente. E quem fiscaliza isso não é a prefeitura, alguma agência reguladora ou uma secretaria qualquer, mas o maior interessado, que é o consumidor.
Quando há um problema na prestação do serviço, o cliente informa diretamente a empresa e, ao mesmo tempo, os outros clientes tomam conhecimento. Isso exige do empresário a rápida solução do problema e, se necessário, o afastamento de seus causadores. Isso é muito mais eficiente do que qualquer decreto, qualquer fiscalização oficial. Se começarem a ocorrer muitos problemas, a credibilidade enfraquece e os clientes param de consumir. Simples, não?
Como profissional que trabalha diretamente com serviços públicos e exerce uma profissão que está sob constante fiscalização pública posso dizer que nada é mais eficiente do que o controle direto do próprio consumidor. Por isso, toda ação estatal que visa inibir, regulamentar e restringir a oferta desses serviços livres, baseados na internet, apesar de vir acompanhada da retórica de proteção da população, na verdade está apenas impedindo-a de exercer o seu poder livre de escolha.
Está claro, portanto, que São Paulo, apesar de ser a capital financeira do país, está sob a batuta de um pequeno ditador, que, mesmo tentando transmitir a aparência de um governante moderno, não passa de um socialista retrógrado. A cidade, que deveria ser a mais progressista, está se tornando o exemplo do atraso. Os paulistanos se tornaram reféns de seu prefeito. Se bem que, a considerar as últimas eleições, eles merecem.

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