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sábado, 28 de maio de 2016

Demência digital e morte por GPS


- Artigo de Ricardo Hashimoto -

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No ano passado, no Rio de Janeiro, um casal foi recebido a balas – a mulher morreu – ao entrar por engano em uma favela após o GPS tê-los enviado para a RUA Quintino Bocaiúva em vez da AVENIDA homônima. O erro não foi do GPS mas da confiança que nós estamos depositando na informática (GPS, internet, smartphones etc.). Agora, a Ars Technica traz uma longa matéria sobre o mesmo problema intitulada Death by GPS – Why do we follow digital maps into dodgy places?
A resposta está nos ensinamentos do controverso neurocientista alemão Manfred Sptizer, autor do livro Digitale Demenz, sobre o impacto das novas tecnologias no aprendizado. O uso excessivo, prova o doutor, leva ao declínio das funções cognitivas. Uma criança, acostumada a “aprender” pelo Google, por exemplo, ficará totalmente desorientada ao ser retirado dele esse instrumento tecnológico. O mesmo vale para o GPS. As pessoas ficam desatentas e perdidas, nem sabem onde estão. Além da desatenção que provocam, as novas tecnologias deixam de lado uma fase muito importante do aprendizado: a memorização. No pain no gain, não tem jeito. Hoje, sabemos muito bem que os jovens sequer sabem quanto é 7×4. Experimente perguntar. Se quiser diversão de fato, vá para os números altos na tabuada do 7, 8 ou 9. (Demência Digital é um termo que surgiu na Coreia do Sul para designar a verdadeira dependência – igual drogas e sexo – de muitos coreanos em relação ao uso excessivo de computadores.)
Uma experiência recente levada a cabo pela Univesity of Missouri com donos de iPhones demonstrou como isso funciona. Voluntários participaram de um teste onde tinham sensores fixados ao corpo para medir temperatura, batimentos cardíacos, suor etc. Após uma primeira rodada, na qual os cobaias respondiam perguntas tendo perto deles o smartphone, a equipe de testes dizia que os sensores apresentavam comportamento errático, talvez por causa da influência dos celulares e os tiraram dos coitados. Resultado: na medição seguinte, aumentou o batimento cardíaco, o suor e ansiedade. mostrando a dependência – demência digital? – que os infelizes tinham dessas traquitanas. O resultado desse teste com iPhones é, logicamente, extensível a todos os smartphones.
O Dr. Sptizer é radical: as novas tecnologias não devem ser usadas no processo pedagógico até os estudantes atingirem 18 anos. Isso mesmo, você leu direito, vou escrever por extenso, não é erro de digitação: DEZOITO anos. Como sabe que isso é impraticável, ele dá uma tolerância: quinze anos. Isso mostra a maluquice de programas como “um computador por aluno”. Spitzer prevê o futuro desses alunos: “Eles não terão a capacidade básica de pensar nem conseguirão se relacionar face a face com as pessoas ao seu redor. Ao contrário, dependerão da internet e dos dispositivos móveis de modo muito doentio.”
Por seu posicionamento, digamos, inusitado, o doutor alemão enfrenta reações violentas, como a de um jovem que escreveu uma carta onde dizia mais ou menos o seguinte: “Estou no videogame matando inimigos com o meu kalashnikov virtual; se tivesse um de verdade, iria aí matar vocẽ.”

(Fonte: MSM)

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