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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Je suis Asia Bibi

- por Giulio Meotti

Asia Bibi com suas filhas antes de ser condenada à morte por blasfêmia contra o Islã

A condenação à morte de Asia Bibi é como a nuvem de material radioativo de Chernobyl: ela contamina tudo a sua volta. Após a prisão de Asia, seu marido Masih juntamente com seus filhos passaram a viver na clandestinidade. Eles mudaram de residência 15 vezes em cinco anos. Eles sequer podiam estar presentes na audiência judicial de Asia. Era por demais perigoso. Seu marido foi obrigado a se demitir do emprego.
O "crime" de Asia foi ter usado o mesmo copo de água que seus colegas de trabalho muçulmanos. Ela foi condenada à morte porque é cristã e estava com sede. "Você poluiu a nossa água", disseram a ela as mulheres muçulmanas. "Converta-se ao Islã para redimir-se da sua religião imunda".
Asia respirou fundo e respondeu: "eu não me converterei. Acredito na minha religião e em Jesus Cristo Além disso, por que eu deveria me converter e não vocês"?
Em 8 de novembro de 2010, após breves minutos de deliberações, Asia Noreen Bibi, segundo o Artigo 295 do Código Legal paquistanês, foi condenada à morte na forca. A multidão festejou o veredito. Ela estava sozinha e desabou em prantos. Próximo a ela estavam 2 policiais, visivelmente satisfeitos. Nos dias seguintes, 50.000 pessoas em Karachi e 40.000 em Lahore tomaram as ruas para brandir a imagem de Asia Bibi com uma corda no pescoço. Eles disseram que não irão se acalmar até que ela seja enforcada ou fuzilada.
Islamistas paquistaneses se concentraram recentemente para exigir sua imediata execução, pois ela já está no xilindró há 2.500 dias. A ansiedade no tocante à execução de Bibi -- a primeira cristã sentenciada à forca no Paquistão,incriminada por meio de acusações espúrias de "blasfêmia" -- vem crescendo após a execução de Mumtaz Qadri, o assassino do governador de Punjab Salman Taseer, corajoso reformador muçulmano que pagou com a vida por expressar apoio a Asia Bibi. Advogados que defendem pessoas acusadas de blasfêmia não raramente também são executados.
O falecido ministro para Assuntos das Minorias Shahbaz Bhatti também defendeu Asia Bibi, assegurando que ela fosse transferida para outra cela onde há uma câmera de segurança com o objetivo de evitar que ela sofra algum tipo de violência. Foi uma decisão fatal para Bhatti. Um terrorista fechou o carro de Bhatti quando ele saia da casa de sua mãe, assassinando-o em plena luz do dia. Todos sabiam que a pena de morte seria executada mais cedo ou mais tarde. A Fontana di Trevi de Roma acaba de ser iluminada de vermelho em homenagem aos mártires cristãos como o Sr. Bhatti.
Desde a execução de Qadri em 29 de fevereiro de 2016, os protestos de rua não param. Um funcionário do primeiro escalão do governo de Punjab revelou que a segurança de Bibi foi reforçada depois que apareceram relatos da inteligência de que grupos islamistas estavam conspirando para assassiná-la dentro da prisão para vingar o enforcamento de Qadri.
É devido a essas ameaças que organizações de direitos humanos têm exigido que a apelação de Asia Bibi, que vem sendo adiada, seja conduzida dentro de uma cela da prisão, sob forte esquema de segurança. Qualquer tipo de transferência deve ser mantida em sigilo porque os islamistas estão de prontidão para se valerem de qualquer oportunidade para matá-la.
Para entender melhor o iminente martírio de Asia, é preciso ler o livro que ela escreveu juntamente com a jornalista francesa Anne Isabelle Tollet, intitulado "Blasfêmia".
A própria Asia Bibi precisa preparar sua comida para evitar ser envenenada. Até os guardas ameaçam-na de morte. Ela nunca sai da sua cela e ninguém tem permissão de adentrá-la ou limpá-la. Ela mesma tem que limpar a cela e a prisão não fornece nenhum produto de limpeza. Na minúscula cela de três metros, ao lado da cama se encontra o que os guardas, para zombar dela, chamam de "banheiro". Um cano de água saindo da parede e um buraco no chão. Esta tem sido sua vida nos últimos cinco anos, como em uma gruta em um cemitério.
Enquanto isso, os islamistas acabaram de aumentar a recompensa pela cabeça dela para 50 milhões de rúpias paquistanesas (US$678.000). O advogado dela explicou que muitos cristãos acusados de blasfêmia são mortos em suas celas, antes mesmo de se apresentarem perante o tribunal.
Asia Bibi nunca matou ninguém. Mas no assim chamado sistema judicial de seu país, ela fez algo muito mais grave, o crime dos crimes, a mais absoluta afronta: ela -- hipoteticamente -- ofendeu o Profeta Maomé. Criminosos, assassinos e estupradores recebem tratamento melhor do que o dispensado a ela.
A indolência e cobiça condenaram Asia Bibi à morte. Ninguém na Europa foi às ruas para pedir a libertação dessa corajosa mulher ou protestar contra as leis anticristãs do Paquistão. Até o Papa Francisco ficou em silêncio. O símbolo de sua omissão está nos 12 segundos em que o Papa ficou frente a frente com o marido e a filha de Bibi na Praça São Pedro. O Papa mal tocou nos dois, ao passo que o Papa Bento XVI, pediu várias vezes a soltura dela.
O presidente dos Estados Unidos Barack Obama, sempre cheio de retórica e sentimentos ecumênicos, jamais pronunciou uma palavra no tocante à perseguição de cristãos ou pediu aos seus aliados paquistaneses a libertação de Asia Bibi. Citando o jornal francês Le Figaro: os europeus, sempre "ávidos" a mobilizações, petições, demonstrações de todo tipo, "neste caso, nada"!
Por um bom tempo até as principais agências de notícias americanas não se pronunciaram sobre o massacre de cristãos, que são martirizados a cada cinco minutos. Esse silêncio foi quebrado pelo corajoso dissidente do Islã Ayaan Hirsi Ali, que dedicou a esse martírio em massa um ensaio magistral na revistaNewsweek. As tradicionais igrejas protestantes dos Estados Unidos, ocupadas demais com a demonização de Israel, também não se manifestaram. Na França, é impossível até patrocinar um evento em que a receita tenha como objetivo ajudar esses cristãos. A concessionária do metrô de Paris proibiu a afixação de cartazes em favor dos cristãos, somente após protestos resolveu suspender a proibição. Todas as ONGs seculares européias como a Oxfam também não se pronunciam, deixando a defesa dos cristãos às heróicas organizações não governamentais como o Barnabas Fund.
Os cidadãos do Ocidente foram acostumados a considerar esses cristãos de regiões remotas como se fossem agentes remanescentes do colonialismo, de modo que esses cidadãos não dão ouvidos aos seus apelos, nem mesmo as suas histórias trágicas. Enquanto isso o o cristianismo está sendo erradicado em seu próprio berço. A aversão a nossa covardia moral é compensada pela admiração a esses cristãos, como Asia Bibi, que continuam respeitando sua religião em um país que quer expulsá-los da história. A covardia ocidental, no entanto, será punida.
A guerra contra os "blasfemos", gera, na realidade, profundas consequências para a Europa, onde dezenas de jornalistas, cartunistas e escritores são condenados à morte por uma versão diferente do mesmo "crime" cometido por Asia Bibi: "a islamofobia". Católicos devotos como Asia Bibi são perseguidos pelos mesmos motivos e pelas mesmas pessoas que assassinaram os impenitentes secularistas da revista Charlie Hebdo. O ISIS, que recentemente explodiu a igreja católica da Santa Maria em Mossul, conhecida como a "igreja do relógio" (doada pela esposa de Napoleão III), teria imenso prazer de poder explodir a Catedral de Chartres, um dos maiores tesouros da França.
A libertação dessa paquistanesa, analfabeta, mãe de cinco filhos, não interessa apenas a uma distante comunidade cristã. Interessa a todos nós. É pedir demais por uma clareza moral e alinhamento sob o slogan, "Je Suis Asia Bibi"?

Giulio Meotti, editor cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

Publicado no site do The Gatestone Institute.

(Fonte: MSM)

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