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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Para entender o terrorismo islâmico

por Fabio Blanco


O Islã já deu mostras suficientes de não ser uma religião de paz. Isso não quer dizer que ele não tenha contribuído em muitas áreas, como a arte, a filosofia e as ciências. Da mesma maneira que os indivíduos, as religiões também podem oferecer muitas coisas boas, a despeito de sua índole brutal.
O que não se pode negar é que, ainda que seus defensores insistam que os atos de violência são isolados, há décadas o mundo presencia o terrorismo muçulmano.
Atualmente, o Estado Islâmico se apresenta como o responsável pela maior parte desse terror, o que faz os defensores do Islã correrem para alegar que esse grupo não representa o verdadeiro islamismo. No entanto, o que não se pode esquecer é que, muito antes de esse grupo terrorista existir, já se via aviões sequestrados, trens explodidos, homens-bomba detonados e prédios derrubados, tudo em nome de Alá.
Se o Estado Islâmico não é muçulmano, também não o seriam a Al-Qaeda, o Hamas, o Hezbollah, o Boko Haram, a Frente Al-Nusra, a Jundallah, o Al-Shaab e tantos outros grupos que cometem seus assassinatos aos gritos de Allahu Akbar (Deus é grande!). Mas é um pouco difícil aceitar que tantos movimentos nasçam e permaneçam existindo no seio do mundo islâmico sem ter qualquer relação com a religião de Maomé.
Claro que isso não quer dizer que todos os islâmicos são violentos. Porém, tão evidente quanto o caráter violento da minoria terrorista islâmica é o silêncio quase absoluto de sua maioria pacífica. Com exceção de uma tímida manifestação aqui ou ali, que ousa repreender os terroristas no máximo como a adolescentes escolares, em geral o que prevalece é a quietude no mundo muçulmano em relação aos brutais assassinatos que têm ocorrido em todos os lugares.
E isso acontece por um motivo muito simples: o muçulmano é ensinado, desde a mais tenra idade, por meio dos escritos de sua religião, que o Islã deve ser imposto a todo o mundo. Se for possível expandi-lo de maneira pacífica, não há problema algum nisso, mas, se for necessário o uso da espada – ou, em uma linguagem mais contemporânea, de metralhadoras, bombas e facões –, que assim seja.
É da natureza do Islã o imperialismo. Não existe essa história do islamismo tolerante. Basta ver como as outras religiões são tratadas nos países dominados por governos islâmicos. Quando não são completamente proibidas, têm sua atuação fortemente restringida.
Fora do mundo islâmico, principalmente nos países ocidentais, onde a democracia impôs a tolerância religiosa como seu fundamento, os muçulmanos costumam ser muito mais pacíficos. Mas é óbvio: eles são minoria e não podem impor à força aquilo em que acreditam. Apesar disso, já sabemos de bairros europeus onde a comunidade islâmica dominou tudo e impôs a sharia (lei islâmica), tornando aquele lugar quase uma terra independente em relação ao governo local.
Na verdade, o que as pessoas precisam entender é que, para o muçulmano, a vida ocidental é impura, as leis ocidentais são injustas e a liberdade ocidental é um sacrilégio. Se eles convivem com tudo isso quando precisam viver por aqui, é por uma questão de pura contingência e necessidade. De fato, o que o islâmico mais deseja é viver em um mundo onde a sharia prevaleça e o Corão seja imposto sobre todos. É provável que, para que isso aconteça, ele mesmo não pratique atos violentos. No entanto, é bastante difícil para um muçulmano, ao ver guerreiros, ainda que terroristas, lutando para islamizar o mundo, condená-los de maneira mais veemente.

Publicado originalmente no jornal Gazeta do Povo de 29 de março de 2016.

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