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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Olavo de Carvalho e a astrologia

# Não sei ao certo o que dizer do texto abaixo - que Olavo publicou hoje mesmo em suas redes sociais -, mas resolvi compartilhá-lo aqui com os leitores do blog, para notarem como Olavo não merece ser desprezado como filósofo simplesmente por apoiar a crença astrológica, visto que ele aborda a astrologia sob uma perspectiva que está bem longe de ser simplória. Aos que o desprezam dizendo "Olavo não passa de um astrólogo", convido a lerem o fragmento abaixo e refletirem a partir daí se ele realmente é apenas mais um charlatão como tantos outros...
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* Olavo de Carvalho, em 24/11/2016:

"Há trinta anos venho repetindo: A astrologia não é nem uma ciência nem uma pseudociência. É um PROBLEMA CIENTÍFICO atemorizante e fascinante, que ainda mal chegou a ser formulado, quanto mais estudado. Tudo quanto escrevi a respeito é uma tentativa de formulá-lo. Pessoas que não são capazes nem mesmo de imaginar que há um problema a formular são as que mais têm opiniões definitivas a respeito. 
Já que alguém falou de astrologia, minha teoria concernente aos horóscopos, até o ponto em que a desenvolvi tempos atrás, pode se resumir assim: O horóscopo é uma figura fixa, e os trânsitos e progressões dos planetas obedecem a um algoritmo também fixo dado de antemão. Logo, o horóscopo de nascimento, ao contrário do que dizem os astrólogos, não pode corresponder a uma entidade tão instável a cambiante como a "personalidade" humana. Ou o horóscopo não corresponde a nada, ou só pode corresponder a algum elemento fixo por baixo da personalidade em mutação. Qualquer "estudo estatístico" que não levasse essa distinção em conta só criaria mais problemas em vez de resolvê-los. A única entidade a que o horóscopo poderia corresponder, e ainda assim muito esquematicamente, seria àquilo que Kant chamava "caráter inteligível", a estrutura supratemporal da individualidade. Mas, como observava o próprio Kant, o caráter inteligível não pode ser conhecido por meios humanos, apenas vagamente entrevisto por partes isoladas. Para que um estudo científico da questão astrológica (não da "astrologia" socialmente existente como prática profissional) fosse possível, seria preciso primeiro operar, pelo método fenomenológico, a redução da personalidade real aos seus elementos imutáveis (o que colocava problemas de expressão verbal quase insolúveis), para depois conceber um método comparativo que permitisse averiguar se existia ou não alguma correspondência estrutural com os horóscopos, interpretados não segundo técnicas astrológicas usuais, mas segundo uma reformulação fenomenológica igualmente difícil e problemática. Foi esse o projeto que denominei, numa clara alusão kantiana, "O Caráter como Forma Pura da Personalidade". Não creio que isto seja assunto para se discutir com o Villa."

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